Natura (NATU3): A virada que a Faria Lima ainda tem medo de comprar
NATU3 subiu em 2026, reduziu alavancagem e voltou ao radar de bancos e gestoras globais. A tese de alta depende de margem, simplificação e execução.

A ação subiu 37% em 2026 depois de cair 41% em 2025.
O EBITDA chegou a R$ 978 milhões. A alavancagem caiu para 1,3x. O JP Morgan voltou a enxergar compra. A Baillie Gifford passou de 5% do capital.
E, mesmo assim, o mercado segue desconfiado.
Talvez seja exatamente aí que mora a tese de alta.
A análise a seguir foi gerada pela base de dados do Sentinelus.ai, um agente de IA que monitora 2.300 fontes de conteúdo de finanças e influenciadores.
A tese de alta não é sobre beleza. É sobre virada operacional.
A Natura virou uma tese desconfortável.
O mercado não está eufórico. Os bancos ainda cobram execução. O 1T26 foi difícil. A concorrência apertou. A Argentina pesa. A Avon ainda precisa mostrar tração.
Mas a tese de alta olha para outro ponto.
- Primeiro: a companhia deixou para trás o ciclo de expansão agressiva e passou a priorizar rentabilidade.
- Segundo: a desalavancagem virou promessa formal, com meta de alavancagem em 1,2x.
- Terceiro: a saída da Avon International, a entrada da Advent e a simplificação operacional podem destravar valor.
A Natura não precisa ser perfeita para subir. Precisa provar que a bagunça ficou para trás.
O JP Morgan viu o que o mercado ainda não quer precificar
O JP Morgan elevou a Natura para overweight, com preço-alvo de R$ 14.
A tese da casa é direta: a saída da Avon International reduz risco, simplifica a estrutura e pode destravar valor.
Mais importante: o banco projeta CAGR de lucros de 16%, sustentado pela nova estrutura de capital com a entrada da Advent.
E ainda vê o papel negociando com desconto de 20% frente aos pares.
Esse é o ponto central da tese de alta. NATU3 não precisa voltar a ser a antiga Natura global, complexa, pesada e cheia de ruídos. Precisa virar uma empresa mais simples, menos dispersa, mais rentável e mais fácil de analisar.
Quando uma tese deixa de ser crescer a qualquer custo e vira arrumar a casa, o mercado costuma demorar para acreditar. Mas, quando acredita, o rerating vem rápido.
A desalavancagem virou o gatilho que pode mudar a história
A S&P manteve rating BB para a Natura.
Mais importante do que o rating é a régua operacional: a companhia projeta margem EBITDA de até 15% até 2027 e redução da alavancagem para 1,2x.
Isso muda a narrativa. Uma empresa de consumo com dívida alta sofre em Selic elevada. Mas uma empresa que mostra caminho de desalavancagem começa a ganhar outro múltiplo.
A Exame já havia apontado alavancagem em 1,3x na tese de recuperação. O comunicado mais recente coloca a meta em 1,2x.
A diferença parece pequena. Mas, para uma empresa que passou anos carregando ruído de estrutura, integração, Avon, Argentina e passivos, a mensagem é grande.
A gestão está dizendo: o jogo agora é margem, caixa e disciplina. Não é glamour. É execução.
A Baillie Gifford não entrou para fazer barulho. Entrou para ficar.
A Baillie Gifford atingiu 69,5 milhões de ações da Natura. Isso equivale a 5,06% do capital social.
A gestora informou que a posição é passiva, sem intenção de alterar controle ou buscar assento no conselho.
Esse tipo de movimento importa porque não é trade de manchete. É alocação institucional.
A ADVFN tratou a posição como reforço de confiança na tese de longo prazo. O comunicado da própria Natura confirmou a participação.
Em uma ação ainda cercada por ceticismo, a presença de uma gestora global acima de 5% muda o tom. Não resolve a operação, mas valida que existe investidor olhando para a Natura como assimetria de longo prazo, não só como recuperação tática.
A governança foi rearrumada para acelerar a virada
A Natura oficializou Alessandro Carlucci na presidência do conselho. Fábio Barbosa migrou para um novo colegiado consultivo.
A leitura do Valor Econômico foi de reestruturação para otimizar a supervisão estratégica e estancar ruídos internos. O mercado reagiu com alta de 1,37% na ação.
A companhia também oficializou mudanças em comitês, incluindo a criação do Emana Pay e a substituição do antigo Comitê Estratégico por um novo foco em performance.
Isso conversa com a tese do JP Morgan: simplificação, performance, governança e capital.
Depois de anos em que Natura parecia grande demais, internacional demais e complexa demais, a nova narrativa é menos romântica e mais prática: cortar ruído, executar melhor e recuperar margem.
O ESG da Natura não é enfeite. É ativo de marca.
A tese de alta em Natura não é só financeira. A marca continua sendo um ativo difícil de replicar.
O Money Report destacou que 90% dos materiais da companhia já estão adaptados ao modelo de embalagens sustentáveis, com foco em reduzir até 85% do plástico nas linhas Ekos e Tododia até 2030.
A Exame colocou a Natura como destaque na categoria Farmacêutico e Beleza do prêmio Melhores do ESG.
O Estado de Minas reforçou o ponto de marca: a Natura atrela o negócio à preservação da Amazônia e transforma propósito socioambiental em fidelidade.
Isso é intangível. Mas intangível também vale dinheiro quando a empresa volta a entregar margem.
A tese de alta fica mais forte se a operação voltar a funcionar porque a marca já existe. O consumidor já entende. O posicionamento já está construído.
O gráfico já mostrou que existe apetite
NATU3 já mostrou força em momentos específicos.
A Exame registrou alta de 0,72% em pregão hostil. Depois, o TradeMap apontou avanço de 2%, entre as valorizações mais sólidas do índice.
A B3 registrou outro descolamento: Ibovespa em queda de 0,61%, Natura em alta de 1,53%, fechando a R$ 9,94.
O Clube dos Dividendos destacou alta de 32% no ano, com Mazone mantendo o papel como único nome de varejo em sua cobertura. André Moraes enxergou potencial explosivo se o papel romper R$ 17,40, com stop em R$ 9,85.
Nada disso elimina risco. Mas mostra que, quando a tese ganha fluxo, o papel anda rápido.
Ação de turnaround é assim: fica desacreditada por muito tempo, até o mercado decidir que a virada ficou crível.
O que ainda precisa ser provado
NATU3 não é uma tese limpa.
A XP cortou preço-alvo para R$ 13,50. O Citi ficou neutro com alvo em R$ 12. O JPMorgan já foi duro com o 1T26. O mercado ainda cobra recuperação no segundo semestre, melhora no Brasil, execução da Avon, estabilização da Argentina e avanço real de margem.
Mas a tese de alta existe porque os gatilhos também são concretos: ação ainda em recuperação depois de cair 41% em 2025, EBITDA de R$ 978 milhões, alavancagem em 1,3x, meta de 1,2x, margem EBITDA projetada em até 15% até 2027, JP Morgan vendo desconto de 20% frente aos pares, Baillie Gifford com 5,06% do capital e uma marca ESG que segue forte.
A leitura otimista é simples. A Natura não precisa convencer o mercado de que nunca errou. Precisa convencer que aprendeu a parar de sangrar valor.
É uma ação que exige saber se a Natura consegue transformar simplificação, desalavancagem e força de marca em margem antes que o mercado volte a perder a paciência.
Sobre esta análise
Esta análise foi gerada pelo Sentinelus.ai. O Sentinelus é uma plataforma brasileira de inteligência de mercado para investidores da B3. Um agente de IA rastreia continuamente mais de 2.300 fontes, incluindo canais do YouTube, posts no X, documentos de RI, comunicados da CVM e mais de 800 portais de notícias financeiras.
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